A importância da pesquisa no saneamento

Como os cientistas descobrem ou aprimoram seus conhecimentos em determinada área? A resposta deve ser unânime: através do desenvolvimento de pesquisas a partir de um método científico.

Como os cientistas descobrem ou aprimoram seus conhecimentos em determinada área? A resposta deve ser unânime: através do desenvolvimento de pesquisas a partir de um método científico.

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Análise de respirometria em lodo ativado de um SBR – Iuli Theisen

E de onde surgem os cientistas? Normalmente dentro das universidades, com projetos de pesquisa de iniciação científica, de pesquisas a nível de mestrado, e teses de doutorado e pós-doc. O aluno que quer seguir uma carreira acadêmica encontra várias barreiras, mas sempre há espaço para uma nova abordagem inovadora dentro da ciência.

O que não nos contam é que o aluno que quer seguir uma carreira profissional, mesmo que acabe optando por fazer uma pós-graduação strict sensu, pode realizar pesquisas dentro da própria empresa em que já trabalha. A este, estão atribuídas qualidades técnicas relativas a sua própria área, além de engajamento, comprometimento e visão sistêmica para encontrar gapsde processo que possa se aventurar a analisar e propor/aplicar métodos de resolver ou mitigar estes problemas.

Quem ganha com isso? O profissional ativamente envolvido no projeto, com desenvolvimentos de mais habilidades e conhecimentos (afinal, muito provavelmente ele vai precisar pesquisar bastante); a empresa que, apoiando a inovação, mantém o colaborador fiel e contente, com menos chances de aproveitar outra oportunidade e sair da empresa, assim como, muito provavelmente obtém ganhos financeiros com a aplicação do projeto advindo dele; e a comunidade, seja ela o objeto direto de algum serviço ou produto oferecido pela empresa e melhorado através do projeto.

Até aqui a abordagem foi bem ampla, mas vamos voltar esse olhar para dentro do saneamento básico no Brasil. Sediamos o maior Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente da América Latina, dentre os outros diversos congressos anuais da área, temos 1.670 engenheiros sanitaristas com registros ativos junto aos conselhos federal e regionais da categoria (Sistema Confea-Creas, 2022), além de incontáveis profissionais diretamente envolvidos na gestão e operação de estações de tratamento de água e efluentes em todo o território brasileiro.

Portanto, temos cabeças pensantes o suficiente para promover a busca por pesquisa e inovação dos processos mais simples aos mais complexos dentro da cadeia do saneamento básico. Desde o início da base operacional à alta gerência de uma organização.

Dentro do seu setor tem algum parâmetro ou processo já em andamento que você vê que pode melhorar de alguma forma? Parabéns, você encontrou um gap de processo. Aprofunde-se nele sempre que tiver um tempo, analise os dados que se relacionam a ele, verifique na literatura científica (google acadêmico está aí pra isso, dentre outras ferramentas mais complexas) se alguém já publicou algum artigo com este mesmo problema ou algum semelhante, qual a metodologia aplicada e se você poderia replicar na sua realidade. Não pode replicar? Estude até que consiga montar sua própria metodologia, isso é inovação! Aplique, monitore, recolha os dados e os analise depois para validar a base metodológica. Por fim, publique seus resultados em forma de artigo científico ou trabalho técnico para que mais pessoas tenham acesso e, de repente, possam replicar a SUA metodologia em outras situações. Aqui está a base da pesquisa científica!

Ninguém contesta a importância do saneamento para a saúde do meio ambiente, ao qual nos incluímos. Agora precisamos fomentar e apoiar nossos cientistas internos para garantir a produção científica na área. O que você vai pesquisar do lado daí?

Escrito por: Iuli Theisen Andersen da Silva Escalante
Engenheira Química especialista em Microbiologia de lodos ativados, mestranda em Engenharia Civil com linha de pesquisa em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, consultora em operação e gestão de estações de tratamento de esgoto e água. Entusiasta do aprendizado e do compartilhamento de conhecimento técnico-científico, atua na Companhia Águas de Joinville e é Diretora Técnica de Microbiologia no Instituto Técnico Água Segura.


Quer se aprofundar mais no assunto? Aqui vai uma dica de leitura, o artigo “Pesquisa e desenvolvimento na área de saneamento no Brasil: necessidades e tendências”: https://www.scielo.br/j/esa/a/dKwXzsLnfyGRFz9B4B8hHgd/


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